
Foi há cinco anos! Há cinco anos que verificámos que era possível chegar ao topo, há cinco anos que os nossos sonhos se tornaram realidade, há cinco anos que ganhámos a Taça UEFA!
Para muitos de nós, este foi o troféu mais importante das nossas vidas de ultra, pelo menos o mais conceituado a nível internacional. Habituados a conquistas puramente nacionais, o facto de ganharmos a Taça UEFA premiou todo um percurso constante de apoio ao FCP, em que nós, simples adeptos, atingimos um estado de glória puramente fantástico!
Foi a obtenção da Taça UEFA que coroou de êxito toda uma vida de apoio, dedicação, crença e amor!!!
A campanha europeia do FCP na época em questão, 2002/2003, começou já a prova ia nos oitavos de final, com a nossa equipa a eliminar decididamente o Denizlispor por um marcador avantajado de 8-3.
Nos quartos de final encontrámos pela frente o Panathinaikos da Grécia, equipa que veio às Antas ganhar por uma bola a zero, o que fez pensar, principalmente aos menos crentes e àqueles que estão sempre à espera de uma derrapagem nossa, que dificilmente conseguiríamos dar a volta ao resultado, na 2ª mão, que se realizaria na cidade dos gregos. No entanto, para nosso contentamento, a nossa equipa foi à Grécia conseguir uma precioso triunfo por 2-0 o que nos permitiu passar às meias-finais da prova e, a partir deste momento, o sonho começou a tornar-se verosímil.
A partir daqui tudo podia acontecer. O sorteio ditou que teríamos de defrontar a Lázio de Roma para chegar à tão sonhada final.

Com um misto de sensações após termos tido conhecimento da nossa sorte, lá nos preparámos para receber os italianos. Depois de um jogo espectacular em Portugal, partimos para Itália com um 4-1 na bagagem, evidentemente a nosso favor. Parecia bom demais para ser verdade, mas mesmo com uma vantagem tão numerosa, não podíamos facilitar. E assim foi. Sem fazer um jogo brilhante, o Porto conseguiu a passagem à final da Taça UEFA, após manter a vantagem que tinha sobre a Lázio, empatando 0-0 com esta equipa no jogo da 2ª mão das meias-finais da prova.
E assim chegámos à tão desejada final! A invasão a Sevilha estava garantida!
Os dias que antecederam a Final Cup foram de verdadeira euforia para os nossos lados: preparar e organizar a viagem para tanta gente até ao sul de Espanha não era tão simples quanto isso e foram muitas as noites passada na saudosa sede dos Dragões a acertar todos os pormenores para que tudo corresse bem. A distribuição dos bilhetes não foi de todo tarefa fácil mas, chegado o dia, ou melhor, a noite da partida, tudo estava pronto e bem encaminhado.


Não só de bilhetes se fizeram os preparativos para o grande jogo da nossa vida até a data. Preparar um lençol que ficasse na memória de todos nós e que marcasse da melhor maneira a data em questão era o objectivo. Com muitas noites de trabalho, muitos de nós saíam do armazém directos para o trabalho, assim foi a semana que antecedeu a grande final. Pela primeira vez em Portugal, dois grupos Ultra do mesmo clube se juntaram para a organização de uma coreografia, com o único intuito de apoiar e orgulhar a cidade e o clube da Invicta. Uma semana única para quem participou de todos os preparativos, semana de convivo, alegria e um misto de ansiedade partilhada por todos e o mais importante de todos a união de grupo existente. Uns de carrinha, outros de carro, alguns de avião e a maior parte de camioneta, lá se partiu para a vizinha Espanha com o coração a rejubilar de felicidade.

Chegados a Sevilha, houve oportunidade para conhecer vagamente, muito vagamente, a cidade e confraternizar com os nossos adversários escoceses, pessoas simpáticas, bem dispostas e sempre prontas para a borga! E uns adeptos muito crentes e entusiastas! É curioso o modo como eles vivem o futebol, com tanta intensidade. Ah! E para ajudar à festa, estava um tempo espectacularmente bom!!!
Depois desta interacção cultural e desportiva, foi hora de rumar ao Estádio Olímpico de Sevilha e começar a contagem decrescente para o início do jogo. Com os nervos à flor da pele, parecia que as horas não passavam…
Com a entrada das equipas em campo, iniciou-se o apoio, que, por todos os motivos e mais alguns, foi bastante bom e a coreografia não podia ter tido efeito melhor.

Relativamente ao jogo em si, não há dúvidas de que este foi muito bem disputado: bom futebol, grandes lances e com tudo isto, claro, muitas emoções! Tornou-se impossível controlar os nervos, ainda para mais sempre com o resultado a alterar. Ora estávamos em vantagem, ora não. Começámos por marcar nós, ainda no primeiro tempo, através de Derlei. No entanto, logo a seguir ao intervalo, os escoceses empataram a partida. Nada perdido, e ainda com muito tempo para jogar, voltámos a colocar-nos em vantagem, desta feita com uma golo do russo Alenitchev. Faltava pouco para acabar o encontro, quando o Celtic voltou a marcar. Este empate obrigava a um prolongamento que seria decidido através do golo de prata, ou seja, jogar-se-iam os trinta minutos de prolongamento e só no final se encontraria o vencedor. Estes trinta minutos foram de verdadeiro sufoco. As oportunidades dividiam-se para ambas as equipas e os nossos corações viviam momentos de pura aflição, obviamente. No entanto, a sorte (se é que se pode chamar de sorte) sorriu-nos e nos últimos minutos o nosso Ninja marcou o tão ansiado golo que nos proporcionou a vitória no jogo e a conquista da Taça UEFA. Os últimos cinco minutos, até o jogo acabar, foram verdadeiramente emocionantes e carregados de uma densidade psicológica nunca vista, nem sentida. Entre choros, lágrimas, sorrisos e abraços, o árbitro apitou para o final e todos pudemos respirar de alívio.

Foi o delírio!
O Estádio Olímpico de Sevilha parou para nos ver festejar. E que festejos! Não há palavras que descrevam o que se passou naquele momento. Cada um, à sua maneira, tratou de dar asas à euforia e alegria que iam dentro de si e sentir a magia daquele momento, que foi realmente inesquecível. Quem lá esteve sabe que assim foi e que, por muito que o tempo passe, estes momentos que não vão ser esquecidos.
De seguida foi hora de entregar o troféu, que o FCP conquistou pela primeira vez no seu historial. Foi também um momento muito marcante, pois deu-se o entrosamento entre a equipa, os técnicos e os adeptos, todos cúmplices nesta conquista e todos cientes da sua participação no sucedido. Cantou-se e sentiu-se a música “We are the champions”, porque todos nós sentíamos uns verdadeiros vencedores.
Os festejos custaram a acabar e custou também ter de abandonar aquele local onde houvéramos tido um momento tão feliz! Mas eram horas de regressar a casa, de voltar ao nosso país, à nossa cidade. E assim fizemos.
Em Portugal os festejos também foram vividos com muita intensidade e a equipa foi recebida em verdadeiro delírio pelos adeptos. E menos não se esperava. Estávamos no topo do mundo!
Num ano absolutamente espectacular, em que conseguimos conquistar o campeonato nacional, a Taça de Portugal e a já referida Taça UEFA, o empenho e a honra à camisola que a nossa equipa demonstrava deixava-nos completamente efusivos, encantados e fazia-nos acreditar que tudo era possível, que o topo não era inatingível, que não era uma miragem. E não foi!!! Nós chegamos lá!!!